A presente constatação está relacionada a um minério que é monopólio do Brasil.
Estamos falando do nióbio. Esse minério é hoje largamente empregado na fabricação de aços especiais para a indústria espacial, petróleo, nuclear, militar e outras. Pelo seu desempenho como minério altamente resistente à corrosão e pela sua supercondutividade, deveria ser considerado pelo governo como mineral estratégico. Para quem quiser ler mais sobre o tema, leiam aqui. Vejam também: Nióbio a riqueza que o Brasil despreza e Nióbio, riqueza nacional a preço de banana.
O Brasil, maior produtor de nióbio, detém 98% das jazidas mundiais e abastece 80% do mercado consumidor em todo mundo. Milhares de patentes para utilização deste minério são requeridas o tempo todo por pesquisadores de todo o mundo.
Em 2010, um documento secreto do Departamento de Estado americano, vazado pelo site WikiLeaks, incluiu as minas brasileiras de nióbio na lista de locais cujos recursos e infraestrutura são considerados estratégicos e imprescindíveis aos EUA. No Brasil a principal mina de nióbio fica em Araxá/MG.
Mais recentemente, o nióbio voltou a ganhar os holofotes em razão da venda bilionária de uma fatia da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtora mundial de nióbio, para companhias asiáticas. Em 2011, um grupo de empresas chinesas, japonesas e sul-coreanas fechou a compra de 30% do capital da mineradora com sede em Araxá (MG) por US$ 4 bilhões (valor irrisório).
Infelizmente o Brasil perde a chance de ser protagonista e aceita o papel de mero coadjuvante. Bilhões de impostos são desviados da exportação do mineral todos os anos. O contrabando do nióbio também é muito preocupante. Nada se fala sobre o tema na imprensa em geral. O monopólio brasileiro do nióbio gera cobiça em muitos países . Os preços praticados pelo Brasil não condizem com a sua importância internacional.
Não há uma política nacional que assegure ao Brasil usufruir como deveria das vantagens desse monopólio. Não agregamos valor ao produto por falta de pesquisa sobre a sua aplicação e sobre o formato industrial de consumo. Essa inovação poderia mudar radicalmente a balança comercial do Brasil.
O Brasil deveria ter um centro de estudos e desenvolvimento para ampliar a aplicação do nióbio, fazer o registro das patentes para em seguida comercializar. Há muito de obscuro sobre o nióbio. Nada se fala sobre ele e isso eleva as suspeitas sobre sua má utilização, contrabando, corrupção e outras atividades ilícitas. Quem se interessar e quiser ler mais sobre o nióbio, veja: Nióbio.