Como você quer ser lembrado?
Você tem o dom de liderar? Você consegue articular muito bem as forças e interesses dentro de uma corporação? Como vai usar essa sua grande habilidade política?
O presidencialismo de coalizão (ou cooptação como o disse Presidente Nacional do PSDB Tasso Jereissati CE) trouxe inúmeras novidades para o sistema político brasileiro. É impossível governar sem maioria parlamentar. Com tantos partidos políticos e, a maioria deles com fraca representação, governar se tornou uma tarefa para um super político. Já se fala até em mudança em nossa CF para implantar um sistema semi-parlamentarista, parecido com o da Alemanha
Maioria congressual nunca antes alcançada
O governo atual conseguiu realizar uma grande proeza. Temer se mantêm no poder e conseguiu o apoio parlamentar consistente, até agora, dos congressistas. Isso demonstra uma capacidade inigualável do Presidente Temer, provando ser um super político. Com tantos interesses, vaidades, diversidades culturais e regionais, pode-se dizer que alcançar maioria tão dominante é quase impossível. É, portanto, indubitável a capacidade e habilidade política de Michel Temer.
Vale lembrar que Temer superou com folga todos os seus antecessores, notadamente Dilma, Lula e FHC. Estes, tiveram muita dificuldade para aprovar suas matérias - ou não aprovaram - justamente por falta de apoio do congresso para os seus respectivos projetos de governo.
Aprovações sem percalços de projetos polêmicos
Com uma maioria sólida e única, Temer conseguiu vitórias impensáveis em governos anteriores. Primeiramente como líder do PMDB, temer "aguardou" a tramitação do processo que culminaria no impeachment de Dilma Rousseff. Um processo dessa natureza, que envolvia a figura da Chefe de Estado que lutava com todas as suas forças para manter-se no poder, não é preciso dizer que foi uma grande conquista do PMDB de Temer e partidos aliados.
Agora ele próprio, Temer, com apoio do Congresso, tem conseguido arquivar denúncias contra si.
Claro que Dilma não fez um bom governo e foi reprovada pela maioria da população, o que contribuiu para o sucesso dos seus opositores. Já como Presidente da Republica interino, Temer conseguiu reunir no seu governo os chamados - por ele - de "notáveis" para assumirem os ministérios.
Claro que o termo "notáveis"(hoje quase todos estão fora do governo e alguns estão presos por corrupção) , veríamos depois, se refere aos membros de governo que seriam indicados pelos partidos e tidos como necessários para o grande projeto de construção da maioria esmagadora de apoio.
Na verdade os "notáveis" que formam a base do governo e constroem a maioria de 88%, só são notáveis por esse motivo, pois não são especialista em suas respectivas pastas - salvo raríssimas exceções - e deveriam ser.
Após construir a maioria as pautas foram definidas e o Congresso Nacional foi acionado para votar um PEC (Projeto de Emenda Constitucional), chamado de PEC do teto de gastos públicos. A PEC que era considerada muito polêmica foi aprovada na câmara e senado com muita folga o que deu o tom das facilidades que teria a partir daí o governo Temer: aprovaria tudo que fosse de seu interesse.
Conquista e manutenção de posições chave nos altos escalões do governo
O projeto de poder continua e o próximo passo foi colocar à frete do Senado e da Câmara os "escolhidos do governo" e assim foi feito com muita facilidade. Eunício oliveira e Rodrigo Maia foram eleitos para presidir o Senado e a Câmara dos Deputados, respectivamente e continuam no cargo até hoje.
Indicar um Ministro para STF não estava nos planos imediatos, mas já que houve a vacância, Temer não deixaria passar a oportunidade de ter na mais alta côrte do Brasil um membro por ele indicado. Assim, Alexandre de Moraes, indicado por Temer, já ocupa uma das 11 cobiçadas cadeiras no STF.
De nada adianta conquistar se não puder manter
Michael Temer tem Poder, habilidade política e conhecimento jurídico. Isso é um fato. Porém ele precisa manter seus aliados políticos nos cargos chave em que ele os colocou. Isso não é tarefa fácil, ainda mais em tempos de turbulências provocadas pela atuação firme da Operação Lava Jato, sob o comando do Juiz Federal Sérgio Moro e Promotores Federais como Deltan Dallagnol.
Há muito "peixe graúdo" envolvido e a Força Tarefa não para de investigar e punir denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o patrimônio público. Nesse clima de guerra contra a corrupção, não é fácil manter no governo certos políticos citados ou investigados por crime pela lava jato. Aliás, muitos já deixaram os cargos e está cada vez mais difícil nomear, pois não param de chegar novas delações premiadas.
Mas com tamanha capacidade é certo que, há um grande esforço articulado e concentrado para, até mesmo fazendo uso de mudanças na legislação, manter no governo os investigados ou, até mesmo os condenados. Que pena que seja assim...
Poder maior exige responsabilidade em dobro
Nenhum outro presidente teve a habilidade de construir uma coalizão tão rápida, eficiente e com sólida maioria. Mas tanto poder nas mãos para fazer do Brasil o que bem quiser, requer responsabilidade redobrada.
Mas que tipo de governante temos hoje diante de nós? Temos um líder competente que exerce o comando da nação com timbre de estadista, ou estamos diante de um sobrevivente habilidoso na arte de fazer política, capaz de sacrificar avanços importantes da cidadania, em troca de apoio para se agarrar ao poder? Afinal quem liga para o trabalho escravo ou a quem interessa?
Temer vai usar sua habilidade para conduzir o Brasil ao progresso que todos nós esperamos, votando matérias de interesse do cidadão que combatam o desemprego, que melhorem a educação, que corrijam os desvios de dinheiro público ou será que, contra os interesses nacionais, teremos acobertamento de corrupção, abusos e manobras para a manutenção do poder conquistado? Essa é a pergunta que todos os brasileiros estão fazendo neste exato momento.
Como fica a vida dos brasileiros? E aí, o povo brasileiro será novamente novamente deixado de lado pelo governo? Como fica o sistema representativo? Nos sentiremos representados ou haverá traição e violação dos ideais republicanos? Se isso ocorrer, como o povo irá se livrar de um governante tão poderoso? E, ainda, Temer irá usar sua habilidade para gravar seu nome na história como um grande líder que mudou a trajetória do Brasil para a ordem e para o progresso ou vai ser mais um político comum que veio para se assenhorar de tudo quanto puder em benefício próprio e de seus aliados? Por fim, nas próximas eleições em 2018, teremos uma pleito limpo e sem manobras para reeleger Temer? Lula e Dilma já parecem ter definido seu lugar na história, mas Temer ainda terá chance de mudar algo.
Como Temer será lembrado na história?
Hoje não é possível responder a todas essas indagações, mas a história se encarregará de julgar esse habilidoso governante. O livre arbítrio o conduzirá até as escolhas que terá que fazer e essas escolhas o vincularão à sua história. As gerações futuras farão a análise sobre sua conduta á frente do governo e saberão se ele foi de fato um grande estadista (que nunca tivemos) ou foi um político comum que se esmerou em abafar a Lava Jato, alijando o Brasil de uma grande conquista.